sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um poema em homenagem a Dom Quixote, concebido durante a minha permanência No Vale do Coração

ADMIRÁVEL LOUCO


Lucidamente louco
Entregue ao pó das aventuras
No abismo de medievais leituras
Que consumiram sua mente aos poucos.

Andarilho de ingênua certeza
Cujas façanhas o tempo não desmancha
É página universal, história de “La Mancha”
Humilde servo que, no fundo, é desatinada alteza.


Cavaleiro da triste figura
Que venceu os moinhos da alucinação
E pelas terras de Espanha, mesmo em vão,
Forjou-se escudo de indefesas criaturas.

Na razão de tamanha loucura
Encontrou o refúgio nos encantos de Dulcineia,
A camponesa com sabor de panaceia,
O antídoto para as suas frequentes amarguras.

Teólogo nas horas vagas
Foi muito mais do que um sábio conselheiro.
Mas para outros foi a agulha no palheiro:
A personificação da irresistível chaga.

Por tudo isso será o eterno Quixote
Que Cervantes transformou em louco.
O homem que converteu o delírio em sorte
Que triunfou sobre a própria morte
E, sinceramente, foi pouco.

Mexico (D.F.)

Bom pessoal, não deu pra sair ileso após a leitura de Dom Quixote. O resultado poético dessa aventura é o que vocês acabaram de ler. O que eu tinha para dizer, dito está. Abraços a todos.

Um comentário:

  1. Adorei o poema! Durante a leitura, várias passagens da história de Dom Quixote vieram à minha memória. Parabéns pela bela resenha poética! Achei a imagem maravilhosa também!

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