terça-feira, 31 de maio de 2011

Poesia visual: Lago Atitlán (Guatemala)






O mesmo lago, outro olhar e muita luz.




Foto:Antônio Augusto Horta Liza

Poesia visual: K'uK Mo' (Copán, Honduras)



Detalhe de uma arara decorativa incorporada a um dos edifícios da antiga cidade maia de Copán (Honduras). Essa cidade foi governada entre 426 e 437 pelo rei K'inich Yax K'uk' Mo', cujo nome-título significa Primeiro Grande Sol Quetzal Arara.

Foto: Antônio Augusto
















Um poema para não esquecer o que houve em Canudos





Os versos abaixo são dedicados aos escritores Euclides da Cunha e Mario Vargas Llosa, dois tradutores literários da inusitada experiência de Canudos (1893 a 1897, Bahia), e a José Wilker, talentoso ator brasileiro (foto), que deu vida ao beato Antônio Conselheiro na mais recente versão cinematográfica dessa epopeia nacional.






Palavras do vento

O vento contou-me uma história
Do tempo em que a República recém-nascia
Disse-me que no Brasil houve um beato
Pai espiritual de jagunços fanáticos
Sertanejos de um Belo Monte da Bahia.

Soprou-me que nos confins daquela terra
Tal homem peregrinara em busca de ovelhas perdidas.
Sua voz era um chamado ecoando no horizonte
Profetizara como jamais alguém fizera antes
Enfim, era o cálice para os sedentos de vida.

Longa barba descia-lhe do rosto
Melenas enfeitavam-lhe a fronte serena
Roxa túnica cobria-lhe o delgado corpo.
Esse andarilho cristão do cajado torto
Queria ser solidário apenas.

Desde o batismo, por Antônio respondia
Mas Bom Conselheiro era como lhe mimavam.
Foi outro guerreiro à serviço do Crucificado
Detentor de um verbo fluido e santificado
A encarnação da esperança para os que nele criam.

Dizia que o fim dos tempos estava por vir
E que seu povo devia se preparar para a guerra.
O Anticristo marchava em direção à Canudos
E vencê-lo era fazer o nada triunfar sobre o tudo,
Pois quem não tem fé, covardemente ferido, se entrega.


BH/ maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Confissão poética

AINDA NÃO LI


Padeço de uma insaciável sede de leitura
Que me escraviza nas esquinas de cada parágrafo,
Que me obriga a saber mais do que é necessário
E ser profundamente sábio como as reticências.


Padeço de um vício literário
Que fez de mim um moderno antiquário.
Que me transporta da escuridão das letras ao brilho das estreladas idéias
E diagnosticamente não tem cura.


Padeço de um amor pelos livros
Que é diferente de amar uma mulher.
Mas que alimenta como todo tipo de amor.
E está comigo onde eu estiver.


Já me divorciei de alguns livros.
Guardei segredos, chorei, viajei e também coisas descobri.
Casei-me com outros por puro desejo
E só sei que muitos ainda não li.



México (D.F.)

No vale do coração








Papaloapan (rio das borboletas)

PAPALOAPAN
(RIO DAS BORBOLETAS)


Parece irreal
Mas existe o tal rio das borboletas.
Onde os lepidópteros dão coloridas piruetas
E o crível é cem por cento visual.

Parece anormal
Que exista tal refúgio.
Mas creiam-me que neste mundo tão sujo
Ainda há recantos de beleza total.

Papálotl quer dizer “borboleta”
Em um náhuatl que poucos conhecem.
No entanto, para quem rumo ao golfo mexicano desce
É presença, a mais fiel das naturais esposas.

Assim, poeticamente batizaram o rio
De acordo com o indígena afã.
E quando a primavera expulsa o frio
Percebe-se o porquê de chamá-lo Papaloapan.


México (D.F.)



Fragmento da obra No vale do coração






sábado, 21 de maio de 2011

Brincando com as flores No Vale do Coração


Flor essência


Ofereço esta rosa para Violeta
Que insiste em ser girassol
E procura entre os lírios do campo
Onde jasmim alma de hortênsia.


Mando lembranças para Margarida
Que conheci numa noche buena
Em que contemplava a Flor de Lótus
Beijar os miosótis da Açucena.


Desde que o Cravo se foi com a Tulipa
Crisântemo floração
Pois a saudade contaminou a orquídea
E a papoula ficou na mão.


México D.F.

Poesia Visual: A vendedora de flores (Diego Rivera)


Um pouco do mestre Diego Rivera.

Poesia visual: Uma estela maia da cidade de Copán (Honduras)

As estelas são monumentos esculpidos que trazem imagens de governantes divinizados e várias informações glíficas, muitas delas temporais. A estela em questão foi construída no século 8 e exibe o nível de sofisticação escultórica alcançada pelo povo maia.




Foto: Antônio Augusto

Eclipse Lunar, poema da coletânea Incursões poética

ECLIPSE LUNAR


Enamorado estava o Sol pela Lua
Não tinha com isso negar.
Quando a amada corria pra rua
Seus olhos brilhavam ao vê-la passar.

Ia ao encontro do poço dos suspiros
Toda a vez que avistava o luar.
Contaminou-se pelo fulminante vírus
E por ele começou a raiar.

Andava todo modificado
Pensava num meio de se aproximar.
“Direi que estou apaixonado,
Ela não irá me desprezar !”.

Um dia coragem tomou
E com sua musa foi se encontrar.
Fez serenata, e ela, envaidecida, chorou
Sentindo a verdade, o vento solar.

Então, o Sol eclipsou a Lua
Num sorrateiro beijo de amor.
Vogou com a beldade, que era só sua
Espalhando pelo universo luz e calor.


BH/ novembro de 1990

Outro poema do livro Incursões poéticas: Quem pintou o céu de azul?



QUEM PINTOU O CÉU DE AZUL?



Quem pintou o céu de azul
Muita gente quer saber.
Talvez, por pura predileção,
O Grande Arquiteto da Criação
Escolheu o azul para celeste ser.

Tinha o verde, o cinza e o tom lilás
Uma aquarela para remexer.
Só no arco-íris há sete cores
Se uma tirasse, falta é que não iria fazer!

Dentre as pedras preciosas
Inspirou-se no penetrante olhar das safiras.
Achou que o vermelho era cor de rosa. E pensou:
Do céu, esse azul ninguém tira!

Encoberto pelas brancas nuvens
Ou iluminado pelos raios do sol
Lá em cima está sempre azulado
Mesmo quando chega o manso arrebol.

É um mistério que a todos intriga.
Pergunta que ouso assim responder:
Ora, se o céu é azul em toda parte,
De outra cor é que ele não poderia ser!






BH/setembro de 1990




Este é um dos meus primeiros poemas. Foi elaborado, após eu ter visto, dentro de um ônibus, um garotinho comtemplar o céu azulado daquela tarde e endereçar a sua mãe a seguinte pergunta: Mãe, quem pintou o céu de azul?



sexta-feira, 20 de maio de 2011

Poesia visual: Tinha uma flor no meio do caminho (Antigua, Guatemala)


Buscai e achareis.


No fundo, a contemplação é um exercício, um ponto de vista que floresce quando a persistência encontra o singelo detalhe e o eterniza.


Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: Pintura na janela (Antigua, Guatemala)

... Da janela lateral de um convento guatemalteco capturei essa pintura.

Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: Pintura mural maia (San Bartolo, Guatemala)

Fragmento daquela que é considerada a mais antiga pintura mural maia.

sábado, 14 de maio de 2011

Poesia visual: Visitando Tikal

O templo 1 de Tikal (Yax Mutal) visto por outro ângulo.


Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: A misteriosa Tikal (Guatemala)


Uma mensagem de pedra na janela do tempo. Eis o que os arquitetos maia deixaram para os nossos olhos. Para não esquecer esse momento, decidi "eternizá-lo". Agora os seus olhos veem não só o que um dia tive a oportunidade de ver, mas, sobretudo, a maneira como eu o vi. Porém aviso, Tikal é muito mais do que isto. É uma cidade enigmática que está a espera do seu decifrante olhar.

Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: Templo do Advinho (Uxmal, México)

Uxmal é um sítio arqueológico maia, localizado na península de Yucatan, México. Em termos arquitetônicos, seus edifícios seguem um estilo artístico regional denominado puuc. A foto destaca o famoso Templo do Advinho, tomando um banho de Sol ao entardecer.


Poesia visual: Vulcão Popocatepetl (México)

Aviso que a foto não é minha, mas decidi postá-la porque é a imagem mais imponente do Popocatepetl (do Nahuatl, "a montanha que expele fumaça") que conheço. Simplesmente linda. No primeiro plano vê-se a Igreja da Virgem dos Remédios, construída pelos espanhóis em cima da Grande Pirâmide de Cholula (Puebla). Em 1994, depois de ficar anos em relativa calma, o Popocatéptl entrou em uma nova fase eruptiva. Desde então vem sendo monitorado pelos cientistas e autoridades do governo mexicano.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um poema em homenagem a Dom Quixote, concebido durante a minha permanência No Vale do Coração

ADMIRÁVEL LOUCO


Lucidamente louco
Entregue ao pó das aventuras
No abismo de medievais leituras
Que consumiram sua mente aos poucos.

Andarilho de ingênua certeza
Cujas façanhas o tempo não desmancha
É página universal, história de “La Mancha”
Humilde servo que, no fundo, é desatinada alteza.


Cavaleiro da triste figura
Que venceu os moinhos da alucinação
E pelas terras de Espanha, mesmo em vão,
Forjou-se escudo de indefesas criaturas.

Na razão de tamanha loucura
Encontrou o refúgio nos encantos de Dulcineia,
A camponesa com sabor de panaceia,
O antídoto para as suas frequentes amarguras.

Teólogo nas horas vagas
Foi muito mais do que um sábio conselheiro.
Mas para outros foi a agulha no palheiro:
A personificação da irresistível chaga.

Por tudo isso será o eterno Quixote
Que Cervantes transformou em louco.
O homem que converteu o delírio em sorte
Que triunfou sobre a própria morte
E, sinceramente, foi pouco.

Mexico (D.F.)

Bom pessoal, não deu pra sair ileso após a leitura de Dom Quixote. O resultado poético dessa aventura é o que vocês acabaram de ler. O que eu tinha para dizer, dito está. Abraços a todos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Poesia visual: Feira cultural de Chicastenango, Guatemala


Chichicastenango (lugar das ortigas) é o célebre local de procedência do Popol Wuj, o livro sagrado do povo maia. Algumas pessoas também o conhecem com outro nome: Manuscrito de Chichicastenango. A colorida feira de artesanato do povoado é um patrimônio cultural da Guatemala.
Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: Jovem da etnia kaqchikel com seu traje típico (Santa Catarina Palopó, Guatemala)

Na Guatemala é assim, a cor dos trajes é um elemento que confere identidade cultural às etnias. Particularmente adoro esses tons de azul.


Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: "Arco maia" do complexo do jogo da bola, Copán (Honduras)

Esta proeza da arquitetura maia faz parte do conjunto urbanístico de um sítio arqueológico denominado Copán, localizado em Honduras. A cidade também é conhecida por suas estelas e por apresentar uma imensa escadaria coberta de hieróglifos.

Foto: Antônio Augusto

terça-feira, 3 de maio de 2011

Poesia visual: Antigua, Guatemala

Esta charmosa cidade foi a antiga capital da Guatemala. A política de preservação dos edifícios históricos desse lugar é digna de louvor.


Foto: Antônio Augusto Horta Liza

Poesia visual: revoada em bando próximo a Livingston, Guatemala


Um presente da natureza ao alcance dos meus olhos.


Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: Vulcão São Pedro, Lago Atitlán (Guatemala)


Como resistir? Uma coroa feita com nuvens é brincadeira, não é?


Foto: Antônio Augusto

Poesia visual: Lago Atitlán (Guatemala)

Falar o quê?


Foto: Antônio Augusto

Para os que gostam de ler, ofereço esta Leitura Lúdica



Essa brincadeira despretensiosa, que integra a obra Escudo de Pétalas, serve para arejar os neurônios. Divirtam-se!


LEITURA LÚDICA

Entre guerra e paz
Há cem anos de solidão;
Um coração de pedra verde
Que no meio das cidades invisíveis
Recorda o amor nos tempos do cólera.

Entre o velho e o mar
Lentamente oscila o pêndulo de Foucault,
Onde também navega o cheiro da goiaba
Numa ibérica jangada de pedra
Que o pensamento trouxe ...e o vento levou.

Lá fora as veias abertas da América latina
Revelam-me a insustentável leveza do ser.
E no Diário de Anne Frank as 20.000 léguas submarinas
São versos aquáticos para Ana Karênina;
Paradisíaca ilha perdida no carente olhar do falcão maltês.

Uma casa grande e senzala
Deram vida ao admirável mundo novo:
A terra dos miseráveis Irmãos Karamazov.
Os sertões mais perfumados deste orbe
Onde a Ilíada, Iracema e Gabriela
Protagonizam a literária Odisseia
Para que isso não termine em estorvo.

México D.F.






Uma página do livro Escudo de Pétalas




POETA NO ESPELHO

O poeta é um pintor
Que transforma o mundo pincelando palavras
Algumas escuras e outras bem claras,
Na tela da nossa imaginação.

O poeta é um ator
Representando o grande monólogo das letras
- uma ponte entre o público e as idéias -
Neste minifúndio de papel e caneta.

O poeta é um versador
Que cuida de todos os detalhes :
Da estética das estrofes
Ao pensamento que esvae.

O poeta é um observador
- poliglota e porta-voz -
Um repórter da alma
Que prefere escrever só.

O poeta é um estranho
Guerrilheiro amante da paz.
Um gladiador que vence o desânimo
Escrevendo o que lhe apraz.



México D.F.

No Vale do Coração, segundo Lincoln Diony

Olá pessoal! Postei esta mensagem para dizer que estou muito feliz com o presente que ganhei recentemente de um amigo! Trata-se de uma ilustração, que o talentoso Lincoln Diony concebeu para o meu livro No vale do coração. Nela vê-se que o artista, atento às temáticas predominantes na obra, escolheu tons terrosos e criou um coração bem estilizado, com notáveis alusões à arte pré-hispânica. Sinto-me lisonjeado com tal interpretação/homenagem artística. Portanto, muito obrigado Lincoln!