quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Um poema sobre o mercado pré-hispânico de Tlatelolco




PRÉ-COLOMBIANO ME FIZ

No mercado de Tlatelolco
Troco mantas de fino algodão
Por três grãos de tenro maíz,
Sorvo o incenso que deveria ser dos deuses,
Tranço petates durante longos meses
Sinto que o paraíso está por aqui.

No mercado de Tlatelolco
Encontro-me dissolvido nos rumores da multidão.
Entre plumas e palavras coloridas,
Sou uma nobre alma florida
No jardim da mexicana nação.

No mercado de Tlatelolco
Pude trocar versos com os colibris.
Admirei cascavéis, perus e os temidos jaguares
Pechinchei braceletes em nahuatl
E com os pochtecas soletrei otomi.

No mercado de Tlatelolco
Quase me enlouqueci.
Vi cantores ficarem roucos
De tanto dizer aos outros
Que pré-colombiano me fiz.

Fevereiro/95

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